O flamenco é a música, o canto e a dança cujas origens remontam às culturas cigana e mourisca, com influência árabe e judaica.
Mas o Flamenco é muito mais que um simples estilo de dança, sendo considerada como uma real expressão artística.

Dançando no pátio da antiga fábrica de espaguete. Ernesto Hernandez (à esquerda), David Jones (também conhecido como David Serva) (ao centro), Isa Mura (à direita), guitarristas desconhecidos. Foto usada com permissão.A cultura do flamenco é associada principalmente à região da Andaluzia (comunidade autônoma de Espanha localizada na parte meridional do país), na Espanha, assim como a Múrcia e Estremadura, e tornou-se um dos símbolos da cultura espanhola; originada primeiramente nas ginaterias (bairros pobres ciganos), tornou-se uma arte popular tecnicamente elaborada e com grande expressão emocional, sendo passada de geração para geração pelas famílias ciganas, e que ao longo dos anos se difundiu a nível mundial transformando-se, provavelmente, na mais conhecida expressão da cultura espanhola.

A dança flamenca une muitas influências em sua técnica: dança moderna, contemporânea e balé clássico, tornando o Flamenco ainda mais rico, sendo considerado a arte mais completa, tanto corporal como musicalmente. Resultado da mescla de muitas culturas, porém, mais importante que sua história e suas técnicas, deve-se ressaltar que a Arte Flamenca é antes de tudo uma atitude, onde os sentimentos e emoções do interior da alma, são expressados e compartilhados através do prazer da música, do cante, do baile, do toque da guitarra espanhola e de seu elemento fundamental, o duende (alma ou sentimento flamenco).

O passado do flamenco é regado de dor, perseguição e sofrimento. Fortemente influenciado pela cultura cigana, e com raízes na cultura mourisca e árabe, o flamenco surgiu em uma fusão dessas culturas em um momento histórico difícil para eles. Para aliviarem o seu sofrimento, refletiam na música flamenca o espírito desesperado das lutas, esperança, orgulho e festas daquela época.

El Pele - cantaor flamenco - CórdobaCom seus altos e baixos, ele viveu sua época de ouro nos anos de 1869 e 1910, em que foram criados “cafés cantantes”, onde as pessoas cantavam e dançavam ao som da música flamenca. Com a fama destes locais, os guitarristas se solidificaram nesse meio, e tornaram-se essenciais na composição do mesmo, criando assim a atual guitarra flamenca.

A sua história foi perdida com o tempo, já que os ciganos tinham uma cultura bastante oral e, para completar, a perseguição era muito intensa. Sendo assim, fica difícil dizer ao certo, qual a origem da palavra, que até hoje ainda é meio confusa e sem uma definição concreta. Da mesma maneira, o local da sua disseminação também ainda é contestado. Porém, a maioria afirma ter sido nos arredores de Sevilha, Jerez e Cádiz. Outra curiosidade é que o flamenco espanhol não é considerado uma arte por todos. Alguns alegam que, por não conter uma raiz única, não pode ser considerado, por exemplo, uma dança folclórica.

As antigas reuniões do flamenco, onde os ciganos juntavam-se para cantar e dançar com a finalidade de liberar suas tensões e frustrações da vida, são até hoje conhecidas como juergas, e nelas, o importante é ser espontâneo na expressão artística. A juerga geralmente inicia-se com um encontro, onde as pessoas conversam, comem e tomam vinho, e logo após dançam o Flamenco por toda a noite!

Cafe cantanteNa construção de uma identidade flamenca, artistas e aficionados locais criam metáforas criativas de pureza, paixão e essencialismo.
Alguns se concentram em uma simplicidade idealizada projetada sobre os empobrecidos Gitanos rurais da Andaluzia, vendo isso como o começo e o fim natural do flamenco puro. Para outros, o espírito do flamenco não morre com o falecimento de seu praticante mais velho, mas vive na capacidade do artista de comunicar seu contágio emocional.

Para outros ainda, o flamenco é apenas uma parte da equação musical da vida; significativo por si só, mas capaz de alcançar maior poder quando combinado com outras artes expressivas.

O flamenco espanhol se divide em 3 categorias: Flamenco Jondo ou Antigo, que é o mais tradicional; Flamenco Clássico, o mais moderno e que utiliza novas técnicas; e o Flamenco Contemporâneo, uma mistura dos outros dois já citados , adicionando a eles o jazz e o fusion.
Essas categorias se subdividem em palos. Os palos são estruturas rítmicas características do flamenco.
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Flamenco no Brasil

“Ticotata tico-tatatá”, “Desde arriba!”, “Uno dos trés”. São sons vindos das clases de baile flamenco. Imagine poder vivenciar o flamenco, tendo aulas e assistindo a espetáculos sem precisar sair do Brasil?

O flamenco no Brasil surgiu nos anos 50, quando os imigrantes espanhóis começaram a chegar no país. Com mais de 4 gerações de artistas de origem brasileira, ele ainda busca seu espaço no território, tendo ainda pouca visibilidade e apoio, mas com uma crescente aceitação e disseminação.

Fica evidente que o flamenco é a mais verdadeira e harmônica integração entre arte, cultura e teatralidade na Espanha. Ela, por si só, contagia e faz lembrar de um passado distante, porém marcante, de um povo que, para aliviar a dor, usou a música como a mais bela forma de arte e desabafo.

CastanholaNo flamenco não existe meio termo. É tudo ou nada. Não consegue tomar uma decisão? Comece a aprender flamenco e com o tempo vai ver… tudo fica mais claro. “Esta dança é a coragem. Outras danças são alegres. A alegria desta é séria. É o triunfo mortal de viver o que importa.” O trecho do texto Espanha, de Clarice Lispector.
Flamenco não é para os fracos.